quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sem acento ainda magoa alguém


Férias. Devia levar o tema à letra e não escrever a ponta de um corno. Mas seria demasiado previsível. Então vamos falar de férias como a maioria das pessoas a concebe: no verão.

Férias. A altura do ano em que este rectângulo à beira mar se torna na colónia (ou cologne, em bom franciú) de muitos emigrantes e somos invadidos por carros topo de gama, conduzidos por pessoas de meia idade que comunicam no dialecto estranho e híbrido, desejosas de profitarem as vacances.

Altura do ano em que se multiplicam as festarolas em honra de tudo quanto possa existir, nas quais os emigrantes são presença assídua. Não faltam os comeres típicos da terra, os cantares, os folclores, as pessoas que se guardam para usarem as melhores roupas que têm. Não faltam, também, os bailaricos, as touradas e as feiras. Se puder aparecer por lá os canais de televisão com os “especiais” dedicados ao evento, tanto melhor. Mais prestígio para a terra, mais material para o youtube. 



Altura das filas intermináveis na 25 de Abril e de se passar um dia inteiro para chegar à praia e voltar a casa bronzeado, mas à camionista.

Altura em que milhares de pessoas descobrem o Algarve. E mais praia, bebidas, mais estrangeiros e muito factor Zezé Camarinha.

Época das festas. Milhões de festas. Festa da espuma, festa branca (e da branca), festa da mangueira, festa, festa e mais FESTA!

E após as festas, entupir o FB com todas as fotos tiradas durante a festa “Aqui eu, um bocado feia” “tas linda amoreee” “opá, não queria nada pôr esta” “Estás bouuaaaa, tavam todos os gajus a olhar pra ti”. E os adds. ADICIONAR TODA A GENTE QUE ESTAVA NA FESTA. Stalkar o interesse amoroso.
Ou seja, altura propícia ao engate. É uma equação simples: mais calor, menos roupa e mais desejo. Mamas a saltar, muita perna à mostra, verdadeiros atentados nas praias. Misturar quantidades variáveis de álcool. Sexo desenfreado. Ao ar livre. Dentro de água. Nem sequer lembrar a cara do parceiro. Ou então amores para sempre, destinados, que acabam mal os raios de sol começam a enfraquecer.




Tempo de pôr as leituras em dia, mas acabar atulhado em revistas cor de rosa, que nem a um dia de praia sobrevivem (alguém consegue ler aquilo com manchas de protector solar e páginas coladas com água salgada?).

Tempo também, claro está, de dedicar tempo a ganhar uma corzinha, algo que até há uns cem anos atrás era condenável. A cor era reservada aos trabalhadores do campo, ser-se branco como a neve é que era sinal de status. Muitos escaldões, pessoas que ficam da cor do cobre, muitas asneiras. Milhares de pessoas ensanduichadas em poucos metros quadrados, deitadas na areia, a mergulharem no mar.

A oferta cultural aumenta. Proliferam os festivais, especialmente os de música. Verdadeiras romarias para ver o cantor na moda, a banda de sempre ou apenas para dizer que se foi e estar com o pessoal. Pessoas que percorrem o país de lés a lés em busca da nova pulseirinha para enfeitar o punho. E construir mangas com isso. Em relação ao cinema, a qualidade dos filmes costuma diminuir. Muitos clichés, muito material com o propósito de vender e pouco conteúdo.

Férias. Os dias mais aguardados do ano. Tempo de deixar para trás a existência monótona e miserável e de sonhar. Provar o doce néctar que depois, nos é abruptamente arrancado, deixando apenas um pequeno vestígio nos lábios, que tanto nos satisfaz como nos atormenta. Férias. Obrigados a consumir com moderação.


4 comentários:

  1. um pseudo babaca que ker escrever no tipo poesia,, que bosta,,,, vou continuar minha vida de férias brincando com meu triangulo da putaria: eu bubu e brinkinho, nús na sauna, na banheira, no chuveiro, tomando banho de sol, akele suor escorrendo nakele peito cabeludo do bubu, peles e barba a rossar, a baba à escorrer, enfim, muita piroca no saco, e massagens mil!

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